Exposição fotográfica dos conjuntos escultóricos tumulares do artista ítalo-brasileiro Lelio Coluccini (1910-1983), encontradas no Cemitério da Saudade da cidade de Campinas (São Paulo). A tradição marmorista italiana aliada com o ofício familiar reconfigura-se nas mãos de Lelio devido ao seu contato com as vanguardas artísticas.

A arte moderna pode ter rompido com tradições como a da perspectiva, a da representação da realidade ou com a noção de escultura como monumento, mas o aspecto vital da relação do homem com o mundo, o espaço, não deixou, por isso, de ser uma questão inerente à criação artística, e Coluccini investiu no espaço público para ocupá-lo ora com o comedimento próprio da encomenda burocrática, ora com uma potência poética ímpar.

As esculturas tumulares, de volumes densos e evocativos, trazem o silêncio das alegorias da ordem, da ressurreição, saudade, família, dor e fé, que afloram com o pout-pourri referencial do artista: kitsch, art nouveau, cubismo, expressionismo e neoclássico, numa miscelânea acadêmica e moderna. A linguagem de Lelio Coluccini, evocativa e edificante, representa o seu apreço pela arte sacra e pelo decorativismo. Suas esculturas tumulares são a materialização da necessidade simbólica de eternização de uma opulência e ascensão social, da morte enquanto passagem e memória dos entes queridos (e da figura do próprio artista) e não como esquecimento.

As figuras vigilantes e crentes foram captadas pelas lentes do fotógrafo Josemar Antônio Giorgetti, mestrando da Pós-Graduação em História da Arte IFCH/UNICAMP. A exposição traz uma pequena mostra do trabalho de Lelio Coluccini, entre 1932 e 1973.

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