Marmoraria Irmãos Coluccini

A Família Coluccini chegou ao Brasil, vinda da Itália, na década de 1910. Instalou-se em São Paulo por pouco tempo e a seguir mudou-se para Campinas, onde os irmãos Alfredo (30/10/1886 – 08/07/1951), Giuseppe (23/11/1888 – 10/07/1934) e Pietro fundaram a Marmoraria Irmãos Coluccini. Após alguns anos os filhos de Alfredo e Giuseppe começaram a trabalhar na marmoraria da família; Lélio (03/12/1910 – 24/07/1983), filho de Alfredo, era escultor e Trento, filho de Giuseppe, diretor administrativo da empresa.

Na marmoraria eram construídos monumentos para a cidade e especialmente túmulos para Campinas e região. Dentre os pedidos de autorização existentes no Arquivo Histórico Municipal de Campinas, a maioria está assinada pelos Irmãos Coluccini, que a partir de 1936100 muda de nome para Alfredo Coluccini e Cia, mas continua produzindo jazigos.

Existem diferentes placas dos Irmãos Coluccini espalhadas pelo cemitério, mas sempre apresentam o nome da empresa. Apenas um dos modelos traz destacado Escultor Prof. Lélio Coluccini, como pode se ver nas imagens a baixo.

100. Provavelmente o nome foi alterado após a morte de Giuseppe, em 1934  

Fig. 59 – Placas de túmulos da Marmoraria Irmãos Coluccini no Cemitério da Saudade de Campinas, Halima Elusta, 2006.

As placas da figura acima são os exemplos encontrados no cemitério. Pode-se perceber que o endereço e o telefone são os mesmos, porém o nome da empresa e o formato das placas foram alterados no decorrer do tempo. Essa alteração no nome da empresa era comum no período, mas segundo Alfredo Lélio Coluccini, filho do escultor Lélio, a estrutura e o pessoal não foram alterados; sempre trabalharam Alfredo, Giuseppe e Lélio.

A Marmoraria Irmãos Coluccini produziu túmulos de diferentes estilos arquitetônicos, principalmente art. déco e moderno. O estatuário é composto de temas religiosos e alegóricos; dentre essas estátuas a maioria possui padrão comercial, com o mesmo modelo repetido diversas vezes. Dentre toda a produção da marmoraria, destacam-se as esculturas de valor artístico de autoria do escultor Lélio Coluccini. É possível identificá-las pela estilização dos traços, pelas formas alongadas e pelo uso do bronze.

Lélio Coluccini nasceu na região de Toscana, na Itália, e desde os sete anos de idade começou a trabalhar com argila. Seu primeiro trabalho conhecido foi a uma cabeça de Cristo que ele fez aos nove anos de idade. Entre 1924 e 1931 estudou artes plásticas no Instituto d'Arte Stagio Stagi, em Pietrasanta e ao voltar montou seu ateliê na Marmoraria Irmãos Coluccini. (Site: leliocoluccini.freespaces.com)

Lélio mudou-se para São Paulo em 1937, onde permaneceu por dez anos. Provavelmente teve contato com o trabalho de artistas modernistas. Retornou a Campinas e faleceu em 1983. Está sepultado no Cemitério da Saudade, na quadra número 58. (Fig. 64 e 65)

Faz-se necessário destacar a importância do trabalho desse escultor para a arte funerária do Brasil e especialmente para a arte pública de Campinas e São Paulo.

As esculturas de Lélio nos cemitérios apresentam temas cristãos, como o Sagrado Coração de Maria e de Cristo, santos e anjos. Os demais trabalhos espalhados pelas cidades da região e pelas praças da cidade101 de Campinas foram produzidos sob encomenda, possuindo temas variados.

101 Catálogo com os trabalhos de Lélio – Fonte de informação: Catálogo Bicentenário da Cidade/Editado Prefeitura Municipal Campinas/Guia dos Monumentos e Placas Comemorativas de Campinas/Julho/1974/Prefeito Dr. Lauro Péricles Gonçalves/ Mais Arquivo Dimas Garcia

Obras públicas de Lélio Coluccini.

Fig. 60 – Escultura Diana de Lélio Coluccini no Jardim das Esculturas do Parque Ibirapuera em São Paulo. Retirado do site: http://esculturasemsaopaulo.blogspot.com/2007_09_01_archive.html

Em São Paulo, no Jardim das Esculturas do Parque Ibirapuera existe uma escultura de Lélio, da deusa Diana102, a caçadora, de 1944. Essa escultura diferencia-se da maioria encontrada no Cemitério da Saudade pelo material em que foi construída, o granito. Além do material empregado, a temática mitológica e a nudez fogem aos padrões das esculturas dos túmulos, porém os traços estilizados, olhos puxados e formas arredondadas são típicas do escultor.

Na cidade de Campinas existem obras públicas de Lélio, como o Monumento ao Bicentenário da cidade (1974); o Monumento às Andorinhas (1957); Monumento ao Bispo Dom Barreto; Monumento à Fundação de Campinas (1957) e o Monumento aos Imigrantes. Para este trabalho foram destacados os dois mais conhecidos, localizados no centro da cidade: o Monumento às Andorinhas e a o Monumento ao Bicentenário de Campinas.

102 Diana para os romanos e Ártemis para os gregos, na mitologia representa deusa da caça.  

Fig. 61 – Monumento as Andorinhas, Lélio Coluccini. Retirado do Site: http://pro-memoria-de-campinas-sp.blogspot.com (acesso 02.02.2008)

Fig. 62 – Monumento ao Bicentenário de Campinas, Lélio Coluccini. Retirado do site: http://pro-memoria-de-campinas-sp.blogspot.com (acesso 02.02.2008)

O primeiro (fig. 61) está localizado em frente ao Museu de Arte Contemporânea de Campinas (MACC), é de bronze e representa as andorinhas, símbolo da cidade, voando. O escultor optou pela estilização das formas e pela repetição do mesmo módulo – a andorinha – em posições diferentes para a composição da escultura.

À direita, na figura 62, está o Monumento ao Bicentenário da cidade, no Largo das Andorinhas, com 28 metros de altura. É de concreto e representa a Princesa do Oeste103 - figura feminina alongada com um coração vazado no peito - que carrega o brasão da cidade. Ao fundo a estrutura de concreto forma o número dois, referência à comemoração dos duzentos anos de Campinas.

103 a cidade de Campinas  

Os dois monumentos seguem o estilo moderno de Lélio nas formas distorcidas e possuem mensagens celebrativas bem claras. Foram construídos sob encomenda, provavelmente por meio de concorrência pública.

Além desses monumentos na cidade de Campinas, Lélio foi responsável pela construção de monumentos públicos em outras cidades do Estado de São Paulo. Em Piracicaba, o monumento Aos Voluntários (1938), na praça central, em homenagem aos soldados da Revolução Constitucionalista de 1932 (RAHME, 2005, p.40/41/42), é de autoria de Lélio, assim como em São José do Rio Preto104 há o Monumento aos Revolucionários de 1932, também executado pelo escultor.

Arte Funerária de Lélio Coluccini

Fig. 63 – Túmulo de Lélio Coluccini no Cemitério da Saudade de Piracicaba, Halima Elusta, 2005.

104 O Monumento ao Revolucionário de 1932, localizado na Praça Rio Branco, é de autoria de Lélio, e segundo notícia do Jornal Diarioweb, o filho do escultor declarou: “Essa é uma das obras que meu pai fez, ainda na época da marmoraria, e que era desconhecida pela família”. Fonte: http://www.diarioweb.com.br. Acesso em 24/01/2007.  

No Cemitério Municipal de Piracicaba podemos encontrar algumas esculturas de Lélio encomendadas em Campinas. A figura 63 é um exemplo, em bronze, colocada sobre um túmulo no estilo moderno de granito marrom polido. É o sagrado Coração de Maria, que pode ser percebido pela posição das mãos da figura feminina, apesar de não trazer o coração exposto no peito.

† Alfredo Coluccini (1951)105

 

Fig. 64 – Túmulo de Alfredo Coluccini, Halima Elusta, 2007.

Fig. 65 - Túmulo de Alfredo Coluccini, Halima Elusta, 2007.

O túmulo da Família Coluccini está na quadra nº 58 do Cemitério da Saudade. A construção segue o estilo moderno, é simples, possui uma cruz de metal e uma escultura de Lélio, o que mostra que foi construído pela família de marmoristas.

A escultura é uma figura feminina, coberta até a cintura por um manto. O gesto da mão direita e a marca abaixo dela, assim como a marca no canto esquerdo do túmulo, indicam que esse jazigo possuía mais objetos na composição que foram furtados do cemitério, fato corriqueiro nos dias de hoje.

Além da cruz e da escultura, o túmulo apresenta apenas as placas com as datas de nascimento e sepultamento106 dos membros da família; dentre elas, a data mais antiga é a do patriarca Alfredo, o que indica o período em que o jazigo foi construído.

105 Data mais antiga de falecimento inscrita no túmulo de Alfredo Coluccini em 08/07/1951.  

† Túmulo de Jose Moreira de Souza (1959)107

 

 

 

Fig. 66 – Túmulo de Jose Moreira de Souza, Halima Elusta, 2006.

106 Alfredo Coluccini (30/10/1886 – 08/07/1951); Itália Magri Coluccini (08/10/1885 – 17/01/1967); América Coluccini Malavazzi (09/12/1914); (08/10/1997); Raphael Coluccini (03/08/1998); Lilia Coluccini Ippoliti (14/06/1997); Lélio Coluccini (03/12/1910 – 24/07/1983).

107 Data mais antiga de falecimento inscrita no túmulo de José Moreira de Souza em 27/12/1959.  

O túmulo da Família José Moreira da Souza (29/01/1880 – 27/12/1959) está na quadra nº66 do Cemitério da Saudade e segue o estilo moderno. O túmulo é formado por um pequeno degrau de granito preto cercando todo o jardim onde a escultura de um anjo – orando – ocupa o centro.

No degrau existem as placas com os nomes e datas de sepultamentos da família108 e na calçada a placa da Marmoraria Irmãos Coluccini. Mesmo sem essa identificação é possível perceber que a escultura do anjo orando é de Lélio Coluccini, pela sua estrutura alongada e formas estilizadas, os traços do rosto bem definidos e o cabelo em forma de capacete, característicos do escultor.

Além da escultura, outro elemento de destaque dessa construção é o jardim, como recheio de uma construção funerária. Essa é uma das formas de utilização da vegetação no cemitério que Cymbalista (2002) aponta como forma de mostrar “a chegada bastante lenta de maneiras muito diferentes de tratar a morte” (p. 97). É o anúncio de uma mudança de mentalidade em relação à morte109.

108 Jose Moreira de Souza (29/01/1880 – 27/12/1959); Talita de Souza (13/05/1876 – 05/10/1968); Libania de Souza (19/04/1916 – 24/05/1997).

109. Essa mudança de mentalidade do homem ocidental se deu no século XX, quando o cemitério passa a ser alvo de preocupações estéticas, planejamento urbano e ecológico. Continua sendo afastado do centro, mas não mais por medidas de higiene, como nos séculos XVIII e XIX, mas para proporcionar aos mortos um ambiente onde possam descansar em paz. É o modelo de cemitério-parque, que se parece mais com um parque do que com um cemitério secularizado; ele corresponde à versão moderna de imposição do silêncio à morte (RODRIGUES, 1983).  

† Família Dr. Sylvino de Godoy (1970)110

Fig. 67 – Túmulo da Família Dr. Sylvino de Godoy, Halima Elusta, 2006.

  

Fig. 68 – Alegorias do túmulo da Família Dr. Sylvino de Godoy, Halima Elusta, 2006.

110 Data mais antiga de falecimento inscrita no túmulo de Dr. Sylvino de Godoy (03/06/1890 – 03/04/1970).  

O túmulo da família do Dr. Sylvino de Godoy está localizado na primeira quadra do Cemitério São Miguel é Almas, é uma construção simples e segue o estilo moderno. É formado por uma base de granito marrom polido, com um pedestal e uma escultura que formam uma composição tetraédrica.

A obra pode ser identificada como de autoria de Lélio Coluccini pela repetição do seu estilo moderno. É formada por três alegorias com seus atributos: a Fé segurando a cruz, a Esperança apoiada na âncora e a terceira alegoria está sem seu atributo, mas a julgar pela posição das mãos111, pode ser uma Alegoria da Tristeza.

A placa de identificação do construtor é da Marmoraria e Cantaria Nossa Senhora de Fátima – Egídio dos Santos112 responsável pela estrutura em granito. A escultura pode ter sido encomendada de Lélio pela própria marmoraria ou pela família.

† Família Strazzacappa (sem data)113

Fig. 69 – Túmulo da Família Strazzacappa, Halima Elusta, 2006.

111 O objeto provavelmente foi furtado, mas a posição das mãos indica que está segurando um vaso ou flores.

112 Marmoraria e Cantaria Nossa Senhora de Fátima – Egídio dos Santos - fone: 92579 – Campinas.

113. Não existem placas com indicações de nomes e datas no túmulo, apenas o nome da família.  

O túmulo da Família Strazzacappa está localizado na terceira quadra do Cemitério São Miguel e Almas, é de granito preto polido, com uma cruz grega ao fundo. Assim com os demais túmulos de Lélio Coluccini mostrados aqui, segue o estilo moderno.

A escultura em forma de anjo sem asas é de mármore branco, com o corpo alongado e uma aureola. A posição é de oração – é uma figura orando.

 

 

 

 

 

 

Arte funerária da Marmoraria Irmãos Coluccini

† Família Zelante (1925)114

 

 

 

Fig. 70 - Pedido de nº20064 de 12/09/1925, Arquivo Histórico Municipal de Campinas, 2007.

 

 

 

 

 

 

 

Fig. 71 – Túmulo da Família Zelante, Halima Elusta, 2007.

114 Data do pedido de nº20064 de 12/09/1925.  

A capela-jazigo da Família Zelante está na 13ª quadra do Cemitério da Saudade, nas sepulturas nº 1 e 2. É uma construção atípica dentre os trabalhos encontrados de autoria dos Irmãos Coluccini, pois segue o estilo eclético, todavia está condizente com o gosto da época. É construído de tijolos e concreto e revestida pelo lado de fora com mármore branco.

A construção é retangular e tem na fachada uma parede saliente que forma a cruz grega. Logo em frente à porta de entrada da capela existem duas estátuas. O desenho do projeto de construção do túmulo foi seguido à risca. É possível perceber que ele foi minuciosamente trabalhado com todos os detalhes decorativos da cruz e da estrutura da porta; os altos-relevos possuem diversos símbolos típicos da arte funerária cristã, como a pomba no topo, as Alegorias da Tristeza nas laterais e no centro – dentro do círculo – a pira com dois ramos de café.

Na frente à esquerda há a Alegoria da Ressurreição, uma das estátuas mais reproduzidas em todo o cemitério. Ao lado direito, outra estátua que foi colocada posteriormente representa uma figura feminina que segura um ramo de palma e um cordeiro115 no colo.

A capela encontra-se hoje em estado precário de conservação. Além da ação do tempo, a porta foi arrombada e existe muito lixo no interior da construção.

115 O cordeiro, segundo Borges (2002a), é um dos símbolos favoritos da arte cristã, representando a desolação. Porém, esse foi um dos poucos encontrados no Cemitério da Saudade.  

† Túmulo da Família Abílio Righetto (1929)116

Fig. 73 - Túmulo da Família Abílio Righetto, Halima Elusta, 2006

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Fig. 72 - Pedido nº 34057 de 20/07/1929, Arquivo Histórico Municipal de Campinas, 2007.

O jazigo da Família Abílio Righetto está localizado na quadra número 24, ocupando as sepulturas 40, 41 e 42, como podemos verificar no texto do pedido de autorização de nº 34057:

Ilmo. e Exmo. Snr. DR. Prefeito Municipal: Irmãos Coluccini, commerciantes marmoristas, estabelecidos nesta praça à rua General Osório n. 131, requerem a V. S. autorização para o assentamento de 1 túmulo, no Cemitério Municipal, desta cidade, na sepultura n. 40 – 41 -42 da quadra 24 de acordo com a planta que com este apresenta para a devida aprovação. Nestes termos, do referido E. R. Mcê Irmãos Coluccini. Campinas, 20 julho de 1929. (Pedido nº 34057 de 20/07/1929)

Observando o desenho da planta pode-se perceber a construção triangular de cabeceira grande, ocupando três lotes. No centro existem três degraus que levam até uma estátua entre duas colunas neoclássicas que sustentam o altar. A estátua central é do Sagrado Coração de Maria, que assim como Sagrado coração de Cristo está presente em grande quantidade nos cemitérios brasileiros. É uma imagem sóbria, que segue o estilo neoclássico, mostrando Maria com o coração em relevo saltando do peito, como símbolo de divindade.

Nos quatro cantos do túmulo existem objetos funerários: duas piras nas extremidades do fundo e dois vasos na frente. Nas laterais as grades são ornamentadas com folhas de palma117 e no centro apresentam o XP.

A estrutura da construção é art. déco, toda composta de blocos de granito natural e possui detalhes neoclássicos como as colunas e a estátua. Quanto ao material, o piso da parte interior e as colunas são feitas de granito preto polido e apenas a estátua é de mármore branco, reforçando sua posição de destaque. Provavelmente essa mistura de materiais foi feita de acordo com o orçamento da família e também pela escassez de mármore de Carrara no país nessa época.

Na fotografia de 2006 do Túmulo da Família Righetto pode-se perceber que as grades de ferro, as piras e urnas foram retiradas, provavelmente furtadas, restando apenas uma grade na frente do lado direito, que permite a comparação com o desenho da planta: existe a cruz grega ao centro da grade, mas ao lado, em vez de ramos de palma, a ornamentação é composta de formas geométricas, o que leva a deduzir que foram substituídas posteriormente.

No topo, seguindo a inscrição Jazigo da Família A. Righetto, existe uma cruz118 grega de bronze composta de um círculo. Tanto a inscrição quanto a cruz não estão presentes na planta. A estátua segue o que foi proposto na planta, sendo que, apesar de possuir poucos detalhes, identifica-se como Sagrado Coração, pela posição dos braços.

116 Data do pedido nº 34057 de 20/07/1929.  

117 os ramos de palma, para os cristãos está associado à paz, vida eterna e ressurreição (FERGUSON , s/d)

118 A cruz é um dos principais símbolos do cristianismo, “nela está contida a fé e a crença em um dos princípios mais caros para os cristãos: a ideia da morte e da ressurreição de Cristo” (BELLOMO, 2000, p. 125), por isso é sem dúvida o símbolo mais encontrado nos cemitérios brasileiros.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

† Túmulo de Perina M. Bucci (1929)119

 

 

 

Fig. 74 - Pedido nº34476 de 09/09/1929, Arquivo Histórico Municipal de Campinas, 2007.

 

 

 

 

 

 

 

Fig. 75 - Túmulo de Perima M. Bucci, Halima Elusta, 2007.

Perina M. Bucci, nascida em 06/12/1888 e falecida em 02/07/1928, teve o pedido de construção de seu túmulo datado de 09/09/1929, quase um ano após sua morte, o que indica que ela já havia sido sepultada neste mesmo local e o túmulo foi construído após um ano.

Este túmulo, apesar de ser construído de um material comum, o granito natural, destaca-se dos demais ao redor pela sua composição. De acordo com o desenho da planta é uma variação assimétrica do modelo reincidente. Possui um sarcófago na frente com um vaso em forma de jardineira e na cabeceira uma cruz latina. A diferenciação do modelo se dá por meio dos blocos irregulares de corte diagonal na esquerda que formam degraus e uma pequena escada, o que causa assimetria na construção.

A estátua à direita é uma Alegoria da Saudade em forma de anjo feminino alado. Os cabelos são longos e presos por uma faixa na testa. Está apoiada sobre uma pedra com a mesma mão que segura um buquê de rosas. As flores se misturam como vestido, que é colado ao corpo, dando sensualidade à imagem. Sua mão esquerda está sobre o peito, e o olhar voltado para baixo em transe espiritual. Ela se destaca na construção por ser uma peça de mármore de Carrara.

A comparação das duas fotografias acima mostra que o túmulo foi construído de acordo com o projeto, sendo que apenas os vasos do desenho foram substituídos por jardineiras.

119 Pedido nº34476 de 09/09/1929.  

† José Coluccini (1934)120

 

 

 

Fig. 76 – Túmulo de José Coluccini, Halima Elusta, 2007.

120 Data mais antiga inscrita na sepultura.  

O túmulo de José Coluccini, o Giuseppe, está na quadra nº28, nos jazigos 327 e 328 do Cemitério da Saudade, seguindo o estilo art. déco e construído em granito natural. Possui três cruzes latinas na cabeceira e uma escadaria à frente. A extremidade lateral direita da escadaria é decorada com vasos.

A cruz central apresenta um pergaminho de bronze com o busto em alto relevo de Giuseppe e a inscrição saudade de sua esposa e filhos. Giuseppe foi o primeiro dos irmãos da marmoraria a falecer e este túmulo pertence à família de seus descendentes.

†Túmulo de Anna Euphosina de Camargo Andrade (1937)121

Fig. 77 - Pedido sem número de 14.12.1938, Arquivo Histórico Municipal de Campinas, 2007.

Fig. 78 – Túmulo de Anna Euphosina de Camargo Andrade, Halima Elusta, 2007.

O túmulo de Anna Euphosina (02/10/1885 – 18/10/1937) está na quadra de nº12 do Cemitério do Santíssimo Sacramento e segue o estilo moderno. A estrutura possui um sarcófago no centro, degraus laterais e uma cabeceira larga limitada por duas placas com uma cruz latina em cada lado. É simétrico e ocupa o espaço de dois lotes.

Observando o desenho da planta e a fotografia atual é possível perceber que a edificação do monumento foi executada exatamente como está no projeto assinado por Alfredo Coluccini, porém, as esculturas não estão incluídas. Há quatro vasos com chamas acesas nas extremidades da obra e uma pira maior ao centro sustentada por duas figuras femininas.

As piras são idênticas, feitas por meio de um molde, o que explica a incidência desse objeto em diversos outros túmulos do cemitério. As estátuas femininas foram feitas na Marmoraria Irmãos Coluccini, mas não seguem a estilização formal de Lélio. Elas estão na mesma posição, mas em lados opostos. As cabeças dessas estátuas são idênticas, todavia uma está voltada para o céu e a outra para o chão, mesmo sentido adotado pela Alegoria da Ressurreição.

A produção da Marmoraria Irmãos Coluccini é eclética e atendeu as encomendas da população campineira desde a década de 1920. A produção foi predominantemente de túmulos nos estilos art. déco e moderno, construídos de granito natural marrom e preto, polidos ou não. Destaca-se a importância do estilo peculiar de Lélio Coluccini que de certa forma ajudou a projetar a referida marmoraria.

121 Data do pedido s/nº de 14.12.1938.

 

 

Textos e fotos autorizados e extraídos da tese de mestrado de Halima Elusta foram montados pelo filho do escultor Lélio Coluccini:

Alfredo Lélio Coluccini – alcoluccini@gmail.com

 

 UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

FACULDADE DE ARTES VISUAIS

MESTRADO EM CULTURA VISUAL

 

Visita ao museu de pedra: arte no Cemitério da Saudade de Campinas – SP (1881 – 1950)

Halima Alves de Lima Elusta

Goiânia – GO / 2008

 

FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA

BIBLIOTECA DO INSTITUTO DE ARTES DA UNICAMP

 

Elusta, Halima Alves de Lima.

El85v Visita ao museu de pedra: o Cemitério da Saudade de Campinas - SP. / Halima Alves de Lima Elusta. – Goiânia, Goiás, Go: [s.n.], 2008.

Orientador: Profª. Drª. Maria Elizia Borges.

Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Goiás,

Faculdade de Artes Visuais.

1. Cemitério da Saudade. 2. Campinas. 3. Arte-funerária. 4. Artistas-artesãos. I. Borges, Maria Elizia. II. Universidade Federal de Goiás. Faculdade de Artes Visuais. III. Título.

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