LELIO COLUCCINI O ESCULTOR


LELIO COLUCCINI THE SCULPTOR


Nasceu na Itália em 3/Dez/1910, numa pequena cidade que é província de Lucca, hoje conhecida como Valdicastello - Carducci, em 1912 chegou ao Brasil acompanhado de seus familiares e estabeleceram-se em São Paulo e posteriormente vieram para Campinas. Família típica de artesões do mármore, razão esta que seu pai e seus irmãos fundaram a Marmoraria Irmãos Coluccini. Tradicionalmente as famílias italianas costumavam ensinar aos seus filhos todos os segredos da profissão, desse modo, Lelio começou bem cedo trabalhando de ajudante na Marmoraria e iniciou-se estudando desenho com a profa. Theresa Marcilio na Loja Maçônica Independente. Aos sete anos de idade brincava de fazer escultura, e com nove anos, fez um belo trabalho em argila, uma cabeça de Cristo, seu pai entusiasmado com a habilidade que o pequeno Lelio demonstrava e também com a crítica feita à obra por um artista renomado, resolve retornar Lelio em 1924 para Itália afim de dar continuidade aos estudos das artes plásticas. De volta à terra natal e morando com sua avó, a nona Teresa, Lelio passou a estudar no Instituto d' Arti Stagio Stagi em Pietrasanta, cidade próxima a Valdicastello. Em 1927, seu pai expos na vitrine da loja Ao Ponto, na rua Barão de Jaguara em Campinas, os desenhos religiosos e místicos de Lelio, pois ainda encontrava-se na Itália, tratava-se de um trabalho premiado no qual ele ganhou o Diploma de Honra no concurso daquele instituto. Estudou tambem na Accademia d' Arti di Carrara, onde teve a oportunidade de conhecer conceituados mestres da estatuária italiana da época e receber as valiosas orientações de escultores famosos como Antonio Bozzano e Leone Tommasi. Em 1929 recebeu da Accademia di Bele Arti di Pietrasanta o primeiro prêmio e a medalha de ouro, referente a obra chamada Studio Anatomico e por este mérito ganhou do governo italiano uma viagem à Roma. Retornou ao Brasil em 1931 e montou seu atelier na sede da Marmoraria Irmãos Coluccini, onde pouco tempo depois fez uma pequena mostra de 3 trabalhos na vitrine da Casa Genoud em Campinas, dos quais destacam-se: o busto do capitalista de Limeira Trajano Bento, Medalhão do Sr.Luiz de Tullio e um estudo em crayon de um Cristo. Em 1937 muda-se para São Paulo onde casa-se, nesse período, entre 1937 a 1947, trabalhou com vários materiais como o mármore, o granito, a terra-cota e o gêsso e desenvolveu novas técnicas de pátinas, as quais resultaram em acabamentos primorosos, valorizando ainda mais seu trabalho de escultor e realçando seu estilo pessoal. Lelio Coluccini contribuiu desta forma para inovar o Modernismo no Brasil com acentos de Art-Dèco. Em 1936 na biblioteca do Centro de Ciências Letras e Artes realizou a primeira exposição oficial composta por 35 obras. Em São Paulo fez uma exposição em 12/Jun/1944 na Galeria do Salão Rudah, situada na Av. Ipiranga que contava com 40 trabalhos, em 1947 desquita-se e volta a morar em Campinas, em 1950 realiza uma grandiosa exposição com 52 trabalhos no Hotel Copacabana Palace no Rio de Janeiro onde um fato curioso ocorreu, pois a data de abertura da mencinada exposição coincidiu com o dia seguinte em que a Seleção Brasileira de Futebol havia perdido o Título Mundial perante a Seleção do Uruguai... resultado, a galeria ficou vazia... e Lelio decepcionado...Entre 1947 a 1951, Lelio mantém contato com artistas do Rio, onde encontra-se o chamado Grupo Moderno do Brasil, com Portinari encabeçando posição perante a frente dos ditos Acadêmicos. Casa-se novamente em 1954, e passa a ser professor de desenho na Escola Gabriele D'Annunzio, no Instituto Cultural Ítalo-Brasileiro e também no Centro de Ciências Letras e Artes. Entre 1954 a 1964, Lelio passa por uma fase de grande desenvolvimento escultórico destacando-se os seus traços típicos de esculpir.Foi agraciado em 1961 com o Título de Cidadão Campineiro pelo seu destaque como escultor quando elevou o nome de Campinas às Galerias de Belas Artes. Em 1962 promove uma grandiosa exposição individual no Teatro Municipal Carlos Gomes onde Lelio conseguiu reunir 43 estátuas que caracterizavam sua habilidade em manipular diversas matérias-primas. Em 1964 recebeu o Diploma da Ordem dos Cavalheiros Honorários de Campinas, juntamente com o troféu Carlos Gomes. O Cemitério da Saudade de Campinas é um verdadeiro acervo público, onde obras do Escultor Lelio Coluccini e muitos outros artistas transformaram-se numa Galeria de Belas Artes ao ar livre. As praças e os jardins e outros logradouros públicos de Campinas já acostumaram-se a compor suas arquiteturas com bustos e monumentos de Lelio Coluccini. O seu último trabalho foi a Águia da Academia Campinense de Letras feito em 1975.

Alguns dos monumentos mais importantes de Campinas são :

As Andorinhas, Ao Bicentenário, Ao presidente Kennedy e Aos Imigrantes (em Sousas).

Na cidade de São Paulo outros monumentos destacam-se como : A Música, Das Bonecas e Diana a caçadora.

A escultura Leda foi adquirida pela Pinacoteca do Estado de São Paulo por tratar-se de uma obra premiada.Coluccini também participou do concurso internacional Monumento às Mães e seu projeto foi classificado em terceiro lugar.

Artista plástico de fama internacional, fez seu nome no Brasil, onde até naturalizou-se, e contribui e muito com seu trabalho, apesar de ser um homem muito modesto que sempre dizia:sou um simples escultor, só isso sei fazer... e fez e muito para a cidade de Campinas, onde faleceu em 24/jul/1983.


Editado em 1974 pela Prefeitura Municipal de Campinas em comemoração ao Aniversário de Bicentenário da cidade, o Guia dos monumentos e placas comemorativas de Campinas chamado Campinas em Pedra e Bronze, reuniu muitas obras do Escultor Lelio Coluccini à quais destacam-se :
O Centro de Convivência Cultural em 1981 realizou uma mostra de obras de arte que se entitulava Retrospectiva Lelio Coluccini, e em 1991 a Construtora Encol homenageou a memória do escultor com uma exposição e contrução do Residencial Lelio Coluccini. Boa parte dos trabalhos de Lelio Coluccini estão em acervos particulares nos EUA, na Itália e Austrália e em outros países.

O nome do Escultor Lelio Coluccini já ganhou as páginas das enciclopédias mundiais Delta Larousse e Britânica. Hoje seus trabalhos escontram-se entre os artistas italianos citados no livro de Bruno Giovannetti chamado Artistas Italianos nas praças de São Paulo.


Principais premiações e exposições no Brasil entre 1932 a 1974 em várias cidades do interior do país :
Pesquisa e comentários do artista e escritor Sergio Lima

A grosso modo, poder-se-ia dividir sua obra em três grandes períodos dominantes:

1-) Das formas ou período redondo, onde o principal material é o mármore e o granito (havendo também peças em terra-cota, gesso composto e fundição de matrizes em bronze).Neste período, a elegância e a solução original dão a dimensão de sua presença naquilo que seria o Modernismo Brasileiro e o coloca ao lado de representantes de vulto como Victor Brecheret ,Amadeo Zani, Ettore Ximenes, Luigi Brizzolara, Ottone Zorlini, Galileo Emendabili, Riccardo Cipicchia, Ettore Usai, Luiz Morrone, Gaetano Fraccaroli e Domenico Calabrone. Essa dominante pois, a da ênfase nas formas, indo até os anos posteriores, sempre que a figura possua uma implicação humanista, no sentido mais profundo da palavra.

2-) Dominante ou período retangular, onde o principal material é o gêsso (patinado ou composto) e o granito, do qual basicamente dá lugar a figuras e peças ornamentais onde nota-se a preocupação decorativa,a linha sintetizante e ou abstracionista, de origem cubista. Essa dominação é da década de 50, e irá marcar os trabalhos posteriores onde o realce será, sempre pois, na síntese da expressão e na intimidade do material tratado.

3-) Período místico, aquele o qual utilizava-se material-mais-pobre tais como papier-machè, barro, vitrais/vidros e novas técnicas com óleo sobre tela, sempre ligado a uma problemática de escultura, ou volume.

É ligado à figura de São Francisco de Assis, onde a áurea do mestre inspirador Il Poverello assume ao artista, dando-lhe aspectos novos e intimistas e despojando seus trabalhos. Nota-se essa tendência,sobretudo, a partir dos meados dos anos 50 para afirmar-de definitivamente a partir dos primeiros anos de 1960, passando a ser marca predominante de suas peças.Quanto à referências obrigatórias é importante listar as seguintes fontes e crônicas com informes impressos:


Notas Bibliográficas


Posicionamento do escultor Lelio Coluccini

Minha verdadeira pátria é o Brasil - devo tudo quanto sou - se é que sou alguma coisa - ao Brasil e a Campinas, onde finquei as estacas do meu lar. Aqui trabalho, educo meus filhos, vivo, participo, sofro e espero. Aqui pretendo ficar para o sono definitivo da Eternidade. - Esta sala é o mundo do meu espírito. Vivo na imutabilidade das coisas que crio, das aquarelas que pinto. Se eu não tivesse estômago, não venderia uma única peça que me fluísse das mãos. Dá-las-ia de presente aos amantes da arte, àqueles que sabem entender o que há de esforço e de alegria do criador em toda e qualquer criação.


Atualizado em 10/04/2008.
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